O Curso de Gestão de Futebol, organizado pela CBF com o Fundo de Legado da Copa do Mundo da FIFA 2014 para o Brasil, chega ao quarto módulo: Gestão de Competições. Nesta sexta-feira (10), a engenheira agrônoma Maristela Kuhn palestrou sobre a importância dos gramados.
Maristela é uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, com teses apresentadas no Estados Unidos, e foi a responsável, junto ao Comitê Organizador Local (COL), pelo projeto de gramados esportivos na Copa de 2014. Ela abriu a apresentação mostrando que pesquisas têm buscado a formação de gramas híbridas, com cruzamento de espécies e modificação genética. O objetivo é melhorar a resistência ao pisoteio e a adaptação à sombra.
Segundo a engenheira agrônoma com mestrado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a questão do fator iluminação – ou a falta dela – foi ampliada pelas novas arenas construídas no país. A grama brasileira é forte e não tem características híbridas, mas precisa de luz (natural ou artificial) para ter condições de alto desempenho.
A sombra criada pela estrutura dos estádios é o maior desafio para a conservação dos gramados. Em cada região do Brasil, uma nação com dimensões continentais, o sombreamento atua em um ângulo diferente, que ainda varia de acordo com a estação do ano. Por isso, o uso de luzes suplementares passa a ter um papel fundamental.
Durante a aula, Maristela explicou que outros elementos devem ser levados em consideração durante a escolha, instalação e manutenção da grama nos estádios e centros de treinamento. Ela forneceu detalhes da preparação do gramado para os jogos, que envolve planejamento especial para evitar sobrecarga e possibilitar o melhor espetáculo técnico possível.
– Na maioria dos estádios, a sombra é projetada pela própria cobertura. Essa questão é mais acentuada nos estados da Região Sul e alguns pontos do Sudeste. A localização geográfica do estádio é decisiva para exigência do uso de luzes suplementares.
Para uma partida de futebol, a altura desejável da grama é de 18 a 25 milímetros, padrão que depende de cortes programados e acompanhamento constante. A estrutural ideal também passa pela existência de colchão drenante, irrigação automatizada e drenagem a vácuo para enfrentar chuvas fortes.
Um dos casos peculiares do mapa de estádios brasileiros é o da Arena Corinthians. A grama usada vem da Europa e tem maior tolerância à sombra. Em compensação, precisa de frio. Então, para suportar os meses mais quentes, o estádio tem um sistema de refrigeração por baixo do gramado.
Maristela Kuhn anunciou que a CBF realizará cursos, com aulas teóricas e práticas, para multiplicar o conhecimento e levar as orientações às pessoas que cuidam dos gramados de futebol Brasil afora.
– Estamos começando com os gestores e vamos avançar para os funcionários de clubes, estádios e concessionárias, levando mais informações para a padronização dos gramados em alto nível – concluiu.
